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segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

25 de dezembro, de fevereiro, de agosto...

Feliz Natal aos que dão bom dia ao vizinho. Feliz Natal aos que não buzinam desnecessariamente no trânsito. Feliz Natal aos que não dão esmola a crianças na rua, mas se sentem mal por não fazerem nada além. Feliz Natal aos que não jogam lixo na rua. Feliz Natal aos que se preocupam em não obstruir os corredores do supermercado com seu carrinho de compras. Feliz Natal aos que cedem seu lugar no ônibus ou no metrô a quem necessita mais. Feliz Natal aos que fecham a torneira enquanto escovam os dentes. Feliz Natal aos que sabem agradecer o que os outros fazem por eles, mesmo que seja algo pequeno. Feliz Natal aos que sabem pedir perdão. E aos que sabem perdoar. Feliz Natal aos que sabem apreciar os momentos de pequena e cotidiana felicidade. Feliz Natal aos que acordam abertos ao mundo. Feliz Natal aos que conseguem admirar a beleza de um pôr-do-sol qualquer. Feliz Natal aos que sabem amar sem pedir muito em troca. Feliz Natal aos que tentam superar os obstáculos das obrigações e distâncias para manter vivas amizades tão importantes e próximas de outrora. Feliz Natal aos que valorizam um fim de semana de chuva jogando baralho com os amigos. Feliz Natal aos que entendem que o melhor de ganhar um presente é saber que quem o comprou pensou neles. Feliz Natal aos que conseguem amar o ser humano, por mais falho e confuso que ele seja. Feliz Natal aos que alcançam a verdadeira importância do Natal, que é, justamente, espalhar bons desejos entre aqueles de quem se gosta.
E aos que não fazem nada disso, um Natal mais feliz ainda, pois são esses que precisam de uma dose extra de felicidade para descobrir que ela está mais próxima do que se imagina e que ser feliz é uma forma de encarar o mundo que se constrói dia a dia.

terça-feira, 18 de maio de 2004

E fez-se a luz

Finalmente entro na comunidade blogueira. Ao tomar conhecimento dos blogs, eu confesso que achei um tanto quanto estranho ficar escrevendo sobre sua vida, sobre coisas pessoais para quem quiser ver na internet. Mas depois vi que a coisa não era tão simples e restrita assim. E passei a achar a idéia interessante, uma forma de se expressar, de trocar idéias, experiências e até verificar, naqueles momentos de dúvida extrema, se foi você ou o resto do mundo que enlouqueceu. Bem, mas chega de justificativas e vamos ao primeiro texto. Fiquei preocupado em escrever algo sensacional, genial no meu primeiro post, algo que criaria fãs imediatos do meu blog. Pura pretensão. Por isso resolvi escrever sobre algo que eu tive vontade de escrever há algum tempo e até pensei "se eu tivesse um blog, eu escreveria sobre isso". Então, lá vai.



LOTERIA COTIDIANA



Estava eu dentro do ônibus (nem lembro se o Siqueira-Papicu, o Parangaba-Náutico ou o Circular) me encaminhando para a faculdade. Quem anda de ônibus sabe que não é exatamente um divertimento: quente, muitas vezes apertado, agüentar freadas e arrancadas bruscas, aturar o gosto musical questionável da maioria dos motoristas. Mas nesse dia eu havia ganho na loteria do dia-a-dia: o motorista era um daqueles espécimes raros que gostam da Calypso ou da Tempo (e eu não tô ganhando nada por essa propaganda, pode?). Sem querer parecer pedante ou preconceituoso quanto às FM 93 ou Verdinhas da vida, mas eu realmente não gosto da programação dessas rádios. Foi aí que me peguei cantarolando "O bêbado e o equilibrista" juntamente com a Elis dentro de um ônibus às 13:50 h, feliz da vida, num momento de pequena felicidade. E então eu percebi que é assim que devemos encarar a vida, como uma série de pequenas felicidades salpicadas aqui e ali, pois se ficarmos esperando pelos momentos de grande felicidade, que são muito raros, acabamos passando batido por grande parte da vida.